Regulamentação e Utilização da IA na Educação na ordem do debate
O ISFIC acolhe desde o dia 6 de Outubro a efectivação das Jornadas Científicas, um momento que marca a interacção científica, integrando palestrantes de créditos firmados e a família académica da casa. As Jornadas Científicas do Instituto Superior de Formação e Investigação (ISFIC), reuniram mais de 250 participantes, apresentando e debatendo soluções para desafios concretos de Moçambique. Sob o tema “Regulamentação e Utilização da IA na Educação: Vantagens e Desvantagens, as Jornadas juntaram estudantes, docentes, investigadores e representantes de entidades públicas e privadas, promovendo a partilha de conhecimento e a aproximação entre a academia e os diversos sectores de actividade. No festim académico foram apresentados alguns temas tais como o Uso da IA generativa no ensino superior; a IA na prática pedagógica; a Vulnerabilidade e protecção de dados; a Transformação produtiva e emprego na era da IA; a Democracia como risco político para países africanos; Desafios da governação em Moçambique; o Assédio sexual e suas implicações psicossociais no contexto laboral; a IA na educação para uma utilização crítica ética e humanizadora; Quando a IA entra na sala de aulas. Com esta edição, o ISFIC reforça a ligação entre a formação e a investigação para responder aos desafios do desenvolvimento de Moçambique.

Honra e satisfação ̵ Dra Arminda Janfar, Administradora do ISFIC
A administradora ̵ Geral do ISFIC, saudou a realização das jornadas científicas e, em particular agradeceu a presença do Reitor da Universidade Pedagógica, o Professor Doutor Jorge Ferrão por este ter aceite fazer o discurso de abertura das Jornadas Cientificas sob o lema: Regulamentação e Utilização da IA na Educação: Vantagens e Desvantagens. Realçou que mesmo tendo inúmeras tarefas e uma agenda carregada, o Reitor não se coibiu do privilégio de vir partilhar saberes juntos dos demais membros da Academia ISFIC, representando este género como tal um momento de “honra e satisfação”.
Sem dados não há IA

Dr. Donaldo Dimas, presidente da AMIA
Para o Presidente da Associação Moçambicana da Inteligência Artificial (AMIA), não restam dúvidas. “Se à IA forem feitas perguntas medíocres, as respostas não tardarão. Estas também serão medíocres, o que a prior nos empurra ao uso adequado, coerente e responsável desta ferramenta da tecnologia avançada”. Sublinha que os cuidados que vínhamos observando no uso da Internet por exemplo, deverão os mesmos na esfera da IA. Por isto e mais, adianta que a sua instituição está neste momento empenhada em trazer a público testes e outros dispositivos capazes de oferecer segurança na interpretação da IA. “Neste âmbito diz que já existem plataformas nos diversos campos de actuação sócio económica do país, cujo horizonte é fornecer balizas de implementação eficaz da IA nos mais diversos e diferentes desafios institucionais. Reforça a grande urgência e alto sentido de responsabilidade no uso da IA neste mundo globalizado aonde, pessoas de má catadura e de má índole, tais quais os hickers cibernéticos, que invadem personalidades privadas deturpando por assim dizer horizontes. “Eles podem usar a flexibilidade da IA para, em pouco tempo, fazerem das piores diabruras em jeito de falcatruas financeiras de grande risco. “Em geral o uso cauteloso da IA vai ajudar sobremaneira as comunidades no alcance dos seus desafios estruturantes”, realça.
Escola cheia e aprendizagem vazia. Diagnósticos e desafios da educação em Moçambique e no mundo

Professor Doutor Jorge Ferrão, Reitor da UP
O Professor Doutor Jorge Ferrão, Reitor da Universidade Pedagógica falou da necessidade de ser invertido o quadro actual na educação tanto a nível nacional e a nível global, enfatizando as áreas e os desafios simultâneos da educação, designadamente no acesso ou seja na necessidade de manter a expansão e garantir que nenhuma criança fique de fora por razões de pobreza ou género. O segundo desafio na perspectiva do académico se relaciona com a necessidade de garantir a permanência na escola, evitando grosso modo o abandono escolar e a desistência através de infra-estruturas e redução da pobreza. Por último, o Dr. Ferrão enumera o factor da aprendizagem como a verdadeira finalidade da educação, sustentando deste modo que a criança aprenda a ler, a escrever, a calcular e pensar criticamente. Na óptica do Reitor, a IA é a transição do ensino passivo para a autonomia de pensamento.
IA é uma realidade vibrante e desafiadora

Professora Doutora Lúcia Ribeiro, Directora Pedagógica do ISFIC
A IA mudou definitivamente as regras do jogo. A Academia é resiliente. Para contornar esta vulnerabilidade e salvaguardar a integridade, os professores estão a adoptar estratégias imediatas brilhantes e tornaram ̵ se o principal escudo de validação do conhecimento. Há também uma migração para avaliações estritamente presenciais com o controlo rigoroso de dispositivos móveis. No campo pedagógico, os docentes começam a desenhar problemas enraizados no contexto local de forma a tentar driblar a IA genérica global. Os dados mostram que os professores não querem fugir da tecnologia, mas sim liderá ̵ la”. Defende que a principal estratégia deve ser a reformulação dos currículos, integrando de forma explícita a literacia em IA e a ética digital. Revela que os números mostram que Moçambique quer educar para o futuro e não combater o inevitável.
À laia de conclusão, a Dra. Lúcia Guerra refere que banir ou tentar policiar a IA é um caminho ineficaz e sem sustentabilidade a longo prazo, e que a verdadeira estratégia exige duas acções macro urgentes, designadamente a reformulação célere dos nossos currículos para integrar a literacia em IA e a ética digital, transformando a ferramenta num assistente de co ̵ criação regulamentado e a reestruturação dos nossos modelos pedagógicos, priorizando o pensamento critico, a presença e a oralidade.

















